Zelfa e eu fomos para o Ushuaia na madrugada da sexta 21 novembro. O navio da Quark saiu do porto do Ushuaia por volta das 18 horas, horário local. Depois do embarque, do check-in feito, cabines conferidas… fomos recebidos pelo lider da expedição que fez uma pequena introdução sobre a viagem. Depois, me despedi da Zelfa com lágrimas nos olhos, pois ela não viajaria comigo. Então todos os passageiros subiram para o deck do navio e abanando para Zelfa e para o Ushuaia que ficavam para trás, partimos pelo Canal Beagle. Sáb 22, passamos o dia todo navegando pelas ondas do Drake Passage. A travessia foi tranquila, mas eu e outros muitos passageiros ficamos bem “mareados” e com a medicação para nausea, fiquei também muito sonolenta. Passei quasee o dia todo deitada… Durante o dia recebemos nossas parkas amarelas e nossas botas para agüentar o frio e a umidade. Quando não estava deitada, aproveitava para passar o maior tempo possivel no deck, sentindo o vento frio no rosto e adimirando os pássaros. A travessia foi melhor do que a tripulação esperava, assim podemos fazer nossa primeira descida (landing) após o jantar do domingo 23, na Aitcho Island, Barrientos. Nesta ilha pude ver diferentes especies de pinguins (Adelie, Gentoo, de Barba, e um impressionante pinguim Rei). Também deu para ver algumas focas na beira da praia. Foi um tremendo começo de expedição! É lindo poder caminhar e ouvir o barulho dos pingüins bem de pertinho!! Na manhã seguinte pretendiamos descer na Peninsula Antarctica propriamente, em Mikkelsen Harbour, mas o vento forte nos impediu. Com isso, o navio continuou seu trageto pelo Cierva Cove e Orne Harbour e então fizemos um zodiac cruise (passeio em bote inflável onde cabem umas 10 pessoas) por mais de uma hora entre icebergs e geleiras, perto de grandes montanhas cobertas de neve… algo impressionante, sem igual! Terça 25, passamos pelo Canal Lemaire, fazia muito frio e a neve começou a cair de vagarinho deixando o convés branquinho, branquinho! A visibilidade não era das melhores, muitas núvens e neve, pedaços grandes de gelo sobre as águas. Tudo era branco e cinza… Então paramos em Port Charcot, muitos pingüins entrando e saindo da água em meio as rochas. A caminhada com neve fofa até os joelhos foi de deixar todos com calor. O visual e o clima eram típicos de Antarctica dos filmes e livros – neve caindo horizontalmente e vento forte. Tudo começou a ficar totalmente branco rapidamente, os zodiacs (botes), nossas roupas, nossas botas … difícil saber quem era quem, foi preciso voltar logo para o navio (por segurança)! A tarde fomos até Vernadsky Station (estação ucraniana), visitamos as instalações da estação – eles estudam a camada de ozonio. Eles tem lá um bar cheio de sutiãs pendurados e muita vodka para receber os visitantes. É bem engraçado! O tempo ficou claro e o sol apareceu de leve no horizonte e nosso retorno pelo Canal Lemaire foi magnífico! Quarta 26, chegamos ao Port Lockroy, um espaço Britânico com um pequeno museu e gift shop. Esse museu conta a história dos primeiros pesquisadores e corajosos britânicos que chegaram a Antarctica. Nesta parada vimos mais e mais pinguins Gentoo, gelo solto pelas águas e caminhamos pela neve. A tarde, fizemos nossa primeira parada no Continente – Neko Harbour onde ouvir o estrondo do gelo caindo da geleira e ver o pedaço que se desprende boiar no mar é assustador! No dia 27 visitamos Enterprise Island que fica mais ao norte da península, onde está lá o casco de um barco baleeiro que pegou fogo a muitos anos. A tarde, no Portal Point caminhamos pelas montanhas cobertas de gelo e com os zodiacs fomos bem pertinho dos icebergs. Tantos diferentes tons de branco e de azul, icebergs de formatos e tamanhos tão impressionantes, são obras de arte! Na manhã do dia seguinte o tempo estava ruim e ficamos impossibilitados de parar e descer em lugar algum anteriormente planejado. Ficamos todos na expectativa de descer mas não foi possível. A tarde, como um presente, paramos na estação sul coreana King Sejong Station e fomos calorosamente bem recebidos pelos coreanos que nos esperavam na beira da praia. Não sei dizer quem estava mais feliz, se nós por chegarmos numa estação onde ninguem entra, ou se eles por receberem seus primeiros visitantes. Fomos muito bem recebidos e depois de um belo tour pela estação que é grande e muito bem equipada, podemos ficar muito tempo caminhando pela beira da praia onde o mar tem cor de esmeralda e nos divertimos brincando com uns mini icebergs que estavam por toda a praia e curtindo os poucos penguins adele que haviam por ali e pássaros de rapina com seus bicos e garras afiadas que voavam e paravam perto da gente. Nessa praia vimos o navio brasileiro Ary Rongel passando bem ao fundo! A noite começamos o caminho de volta ao Ushuaia. São 2 dias navegando novamente pelo Drake Passage. E mais uma vez, a nossa passagem pelo Drake foi tranquila. Segunda 01/dez, após um delicioso café da manhã ainda a boro do Clipper Adventurer, desembarcamos no Ushuaia. Numa manhã Linda de sol!
- Icebeg na Antartida
- Navio e icebergs na Antartida
- Pinguins na Antartida
- Navio cruzando Antartida
- Paz na Antartida
- Pinguins na Antartida
A noite embarquei para reencontrar Zelfa em Buenos Aires e contar como foi fantástica a viagem! E na tarde do dia 2/dez voei de volta para casa. A viagem foi realmente maravilhosa! Não acho palavras para exprimir verdadeiramente a emoção que foi, e as fotos, por mais lindas que fiquem não revelam o que meus olhos contemplaram e meu coração sentiu nestes dias. Obrigada Zelfa por este presente. “Nem olhos viram nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam”. (1 Co 2:9) Meus olhos viram a imensidão da beleza de um pouquinho da criação de Deus e isso é menor do que o amor dEle por mim e por você e do que ele tem para todo aquele que o ama.






